Mill, o artilheiro do Nacional-SP que sumiu

O artilheiro da Copa São Paulo de 1988 não perdeu sua paixão pelo futebol e continua marcando seus gols por aí.

Encafifado com o sumiço de Mill, resolvi fazer algumas buscas para ver o que poderia encontrar acerca deste personagem que se tornou folclórico na cultura do futebol paulista.

Em alguns documentos que achei na internet, Waldemir Aparecido Miguel, nome do artilheiro nacionalino, teve seu nome divulgado em um edital de concurso público que ele mesmo prestou, datado de 28 de janeiro de 2018. A vaga era para Auxiliar de Serviços Gerais II, no Colégio Estadual Padre Ângelo Casagrande, localizado em Marilândia do Sul, no Paraná. Sem sucesso.

Ao entrar em contato com a instituição, em 28 de março do mesmo ano, me disseram que nenhum Waldemir trabalhava no local. Depois, um recado deixado pela provável esposa de Waldemir, no blogspot da Escola Estadual Stela Machado, situada em Bauru, interior paulista, deixou claro que o boleiro tivera estudado na instituição enquanto era atleta do Noroeste, que por sua vez, emprestou-o para o Nacional nos anos 1980.

Encontrei no site da Copa da Amizade, torneio amistoso de futebol suíço (de sete pessoas, também chamado de “Fut7”) disputado em Apucarana, localizado a 369 quilômetros da capital Curitiba, uma ficha de atletas cadastrados na equipe Vision/Seven Jeans, os quais participavam da categoria sênior da 18ª edição da competição, realizada entre 2017 e 2018. Entre os jogadores listados, estava o nome de Mill.

Sendo assim, é possível dizer que o artilheiro da Copa São Paulo de 1988 não perdeu sua paixão pelo futebol e continua marcando seus gols por aí.

Por fim, felizmente, consegui entrar em contato com a esposa de Mill, Elaine, que respondeu meu email confirmando que o Waldemir Aparecido Miguel era de fato o ex-jogador da base nacionalina. E graças ao auxílio do Facebook, consegui encontra-lo e ver sua atual aparência.

Atualmente mora, com sua mulher e uma filha, a Gabrielle, em Marilândia do Sul, município do Paraná. O artilheiro do Naça na “Copinha”, natural de Bauru, interior paulista, possui ainda alguns traços daquele menino craque que encantou nos campos do Estado de São Paulo, balançou as redes adversárias e estampou as capas de jornais, revistas e figurinhas da época.

Depois de pegar o número do celular com Elaine, que me garantira a satisfação e prazer que Mill iria ter ao me atender, resolvi entrar em contato com o antigo ponta de lança, a estrela sumida do Nacional.

A entrevista

Segunda-feira, 3 de abril de 2018. O relógio já marcava 20h30 quando disquei o número do celular de Mill pela terceira vez. Nas duas primeiras tentativas, o ex-jogador dissera estar ocupado devido ao trabalho com a soja. Sim, Waldemir trocou os campos de futebol pela agropecuária. No entanto, até hoje não se esquece dos velhos tempos em que atormentava as defesas rivais com suas jogadas e gols, que o tornaram consagrado entre a molecada da “Copinha”, sendo inclusive chamado pela mídia esportiva de “Pelé de Bauru”, segundo ele próprio me revelou:

“Então, eu já jogava no Noroeste em Bauru. Nós fizemos um amistoso contra o Rio Branco de Itapetininga, é eu lembro até hoje. Aí, na época, o Vinícius tinha comentado que era um bom destino, o Rio Branco de Itapetininga. Aí eu fui lá e fiz esse jogo. Eu estava começando (a carreira). Era jogo profissional. Eu fui da categoria de base do Noroeste. Aí eu estava subindo para o profissional. Eles estavam dando oportunidade para os meninos da casa lá e tal… aí nós fomos fazer esse jogo contra o Itapetininga. E aí foi onde o Sr. Vinícius entrou em contato com o Noroeste e me emprestou para que eu pudesse disputar a Copa São Paulo. O Nacional me convidou, e aí eu fui. Fui, mas sabe, sem muito objetivo… de até acontecer tudo aquilo, cara”, comentou.

Desde aquela época sendo chamado de Mill do Noroeste, o jogador, depois que chegou a capital paulista passou a ser o Mill do Naça, que logo achou o clube ferroviário “aconchegante”.

“Rapaz, pensa num clube aconchegante. Cheguei ao Nacional, me receberam bem. Nós (ele e os demais jovens das categorias de base) morávamos debaixo da arquibancada. Mas, mas pensa num lugar gostoso. Alimentação em dia… os cuidados que eles têm com o atleta, principalmente quando está começando… eu fiquei com aquela vontade de poder ajudar e querer logo chegar em algum lugar e ganhar alguma coisa. E, graças à Deus, deu certo”, disse.

*A entrevista completa você acompanha no livro “Nacional – Nos Trilhos do Futebol Brasileiro”, vendido nos sites da livraria Martins Fontes e da Editora Pontes Futebol. Também é possível adquirir um exemplar com o autor entrando em contato pelo telefone/WhatsApp (11) 99649-7828.

Por Leandro Massoni